quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Adele - O Urso Polar

Estava numa estrada deserta vagando sozinha, perdida em meio a espessa neblina. Havia apenas uma bruma densa, que invadia o seu horizonte. Adele andava pela estrada sem rumo e não conseguia enxergar por causa da intensa neblina que engolia a tudo com voracidade.
A chuva caía sob o seu corpo como finos véus que lhe impediam de enxergar com nitidez. Não sabia onde estava; sabia apenas que era tragada por uma força que vinha do útero da terra. A força atacava com violência e a jogava pelo chão.
Quando abriu os olhos, percebeu que um urso polar branco a observava com seus olhos negros, como se estivessem atraídos magneticamente a sua pessoa. Não havia para onde fugir. Lutar era inútil.
Num grande abraço, o urso conseguiu com sua grande pata esmagar os ossos de seu corpo. O grito de dor não saía da sua boca. Apenas um gemido surdo era emitido. A dor que sentia era tão grande que se parecia com uma broca perfurando o duro asfalto. Insensível. Lentamente. Quebrava o seu interior em pedaços, dilacerando a sua alma, rompendo intransigente as camadas superficiais de suas resistências. Era uma compressão forte no peito; o peso morto de um muro de concreto sobre ele. O sangue tingia o chão como um tapete vermelho de veludo. Sentia-se tão solitária quanto a lua no céu num dia ensolarado. Subjugada. Abandonada.
Tudo começou a perder os contornos e tornou-se um borrão indistinto. Um clarão intenso aparecia distante. Não conseguia enxergar. Abriu os olhos e viu-se sozinha no seu quarto. Na sua cama. Eram os raios de sol que entravam pela janela. Ainda restavam duas horas.Virou-se de lado e voltou a dormir.

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