Mas não bastava querer, suas perguntas a perseguiam e não lhe obedeceriam, Ela, se tivesse tido a oportunidade de escolher nem teria entrado nesse jogo perigoso, só que as coisas tomaram um rumo inesperado e tudo fugiu ao seu controle, situação dessas logo com ela que sempre fora tão centrada, inteligente e objetiva. Ao passar por ali via sua imagem refletida, foi hipnotizada frente a um rosto que lhe era totalmente familiar, mas que tomava contornos inesperados. Ficava intrigada, a cada novo encontro os seus próprios olhos lhe fascinavam cada vez mais, até que chegou a um ponto em que a curiosidade não lhe permitiu resistir. Empurrou o portão duplo e não sabia que depois de adentrá-lo não poderia sair pela entrada, nem imaginaria que depois daquela viagem jamais seria a mesma.
Depois do portão havia intensa luminosidade, mas Tina não conseguia determinar em qual direção se encontrava o sol, as folhas verdes respingavam ainda o orvalho da madrugada como se há pouco houvesse amanhecido, ou poderia ser uma chuva que acabara cair, mas logo observou que no chão arenoso não havia o menor resquício de água, era apenas areia muito fina e seca que refletia a luz e tomava em alguns momentos o aspecto dourado, como se pó de ouro fosse. O lugar parecia-lhe gigantesco e teve o ímpeto de descobrir aquele mundo novo rapidamente, esqueceu-se da realidade com a qual aprendera a viver, estava em fim entrando em contato com os elementos de sua existência interna que até então estavam escondidos nos recônditos mais sombrios, atrás da máscara que lhe impedia de enxergar-se verdadeiramente em seu reflexo.
Até onde podia se recordar havia evitado tal momento utilizando-se das mais diversas táticas de fuga que o tempo lhe ensinara, e não foram poucas as que teve que gastar em todos aqueles anos correndo para longe dos seus medos. Qual a razão misteriosa daquela outra mulher ela gostaria de descobrir, mas naquele instante não se encontrava à vontade para desenrolar pensamentos lógicos capazes de guiá-la dentro da imensidão de dúvidas e angústias desencadeadas logo após o seu aparecimento. Era um processo doloroso que teria de enfrentar. Ainda que um pouco obrigada pela sucessão de acontecimentos desencontrados topou o desafio.
A angústia de se sentir seguida começava a se refletir na sua vida durante a semana, suas perguntas a caçavam. Em uma ocasião, terça-feira normal de trabalho, sentiu-se tonta logo após levantar-se da cadeira para buscar uma pasta que deixara na outra sala, não conseguiu se manter em pé, caiu. Trombava em sua pressa e sabia que nesses esbarros era ferida pelos espinhos das cercas vivas. Algo escorria pelas suas pernas, eram pequeninos riachos de águas quentes e barrentas que se encontravam no tornozelo e formavam um rio volumoso. O sangue derramando era também a lucidez que se esvaía. As gotas da sua sensatez conduziam os seus monstros ao seu percalço inevitavelmente. Ela deixava para trás um rastro que ajudaria os seus monstros a encurralarem-na, viver aquilo era desesperador.
Depois do portão havia intensa luminosidade, mas Tina não conseguia determinar em qual direção se encontrava o sol, as folhas verdes respingavam ainda o orvalho da madrugada como se há pouco houvesse amanhecido, ou poderia ser uma chuva que acabara cair, mas logo observou que no chão arenoso não havia o menor resquício de água, era apenas areia muito fina e seca que refletia a luz e tomava em alguns momentos o aspecto dourado, como se pó de ouro fosse. O lugar parecia-lhe gigantesco e teve o ímpeto de descobrir aquele mundo novo rapidamente, esqueceu-se da realidade com a qual aprendera a viver, estava em fim entrando em contato com os elementos de sua existência interna que até então estavam escondidos nos recônditos mais sombrios, atrás da máscara que lhe impedia de enxergar-se verdadeiramente em seu reflexo.
Até onde podia se recordar havia evitado tal momento utilizando-se das mais diversas táticas de fuga que o tempo lhe ensinara, e não foram poucas as que teve que gastar em todos aqueles anos correndo para longe dos seus medos. Qual a razão misteriosa daquela outra mulher ela gostaria de descobrir, mas naquele instante não se encontrava à vontade para desenrolar pensamentos lógicos capazes de guiá-la dentro da imensidão de dúvidas e angústias desencadeadas logo após o seu aparecimento. Era um processo doloroso que teria de enfrentar. Ainda que um pouco obrigada pela sucessão de acontecimentos desencontrados topou o desafio.
A angústia de se sentir seguida começava a se refletir na sua vida durante a semana, suas perguntas a caçavam. Em uma ocasião, terça-feira normal de trabalho, sentiu-se tonta logo após levantar-se da cadeira para buscar uma pasta que deixara na outra sala, não conseguiu se manter em pé, caiu. Trombava em sua pressa e sabia que nesses esbarros era ferida pelos espinhos das cercas vivas. Algo escorria pelas suas pernas, eram pequeninos riachos de águas quentes e barrentas que se encontravam no tornozelo e formavam um rio volumoso. O sangue derramando era também a lucidez que se esvaía. As gotas da sua sensatez conduziam os seus monstros ao seu percalço inevitavelmente. Ela deixava para trás um rastro que ajudaria os seus monstros a encurralarem-na, viver aquilo era desesperador.
4 comentários:
Carissimo.... adorei ler seu texto.
uma nova surpresa para mim. confesso que gostei muito de suas palavras. e acredito nessa "viagem" de mensagens nas entrelinhas prontas para serem decifradas. uma coisa meio clarice..cheia de mistério.
deixo aqui uma abraço carinhoso...
e cheio de admiracao por esse seu lado escritor.
pode alguem ser plenamente feliz se nao se conhece plenamente ou foge do eu-real? acho importante termos consciência de quem somos e sermos felizes do jeito que somos. medos todos tem, faz parte da vida ter que enfrentá-los e superá-los. uma hora agente consegue.. e aí vem a recompensa...a felicidade... sei lá...
Vamos botar essa moça em movimento... como ela tenta fazer no último parágrafo...
"A vida que nós recebemos nos foi dada não para que simplesmente a admiremos, mas para que estejamos sempre à procura de uma nova verdade escondida dentro de nós." - Conde Leon Nikolaievitch Tolstoi
Postar um comentário